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6. Crianças da Mongolia


Mais sobre a viagem.
Para quem lê pela primeira vez, estou contando sobre minha viagem para a Mongólia.

O povo mongol é muito simpático, aberto. Faz amizade fácil, dá a impressão que os conhecemos há tempos. São muito sociáveis e calorosos como um certo povo que conhecemos.

No lugar onde ficamos não havia luz.
Não tinha água.
Não tem banheiro nem chuveiro.
Na verdade não é só aqui. Nenhum nômade conta com essas comodidades.

Assim mesmo vivem bem e são muito felizes assim.
Todos lá tem um brilho nos olhos invejável.
A vida é dura, no inverno ficam meses sob temperatura abaixo de zero.
Trabalham muito.



As duas crianças da esquerda são gêmeas. Pensamos o tempo todo que fossem meninOs, mas eram meninas. Na Mongólia acreditam que dá sorte cortar o cabelo bem rente.

Lá não havia banheiro nem chuveiro. Eles não tomam banho. Mas o tempo é seco, eu não senti falta de banho.

Nesse dia ajudamos a catar cocô seco de cabra. É difícil, precisa de uma certa técnica. O cocô é usado para substituir a lenha. Colocam num forno para aquecer o guêr (tenda mongol). O incrível é que não cheira mal. Não cheira nada.

Vieram muitas visitas. As visitas aparecem não sei de onde e assim como chegaram, vão embora.
Os vizinhos mais próximos ficam a 4 km daqui. Mas havia gente de muito longe que veio ver os estrangeiros (nós) .

Como não havia banheiro, improvisaram um para nós. Cavaram um buraco, colocaram umas estacas no chão e cobriram com um pano.

Meu filho não fala mongol, mas se entrosou bem com as crianças e todos brincaram juntos alegremente.

O poço mais próximo fica a uns 3 km daqui. Trazem uma água suja e encardida. Eu tomei chá com essa água mesmo. Como estava fervida não passei mal.

Este menino da foto é filho de nômades. As crianças de lá aprendem a andar a cavalo bem cedo. Meu filho andou com eles, foi até longe e gostou muito.

Lá as crianças são livres para brincar por onde quiserem. Não há violência, ruas cheias de carros. Por isso podem brincar à vontade. Certa hora vi essas crianças muito longe brincando sozinhas.

É desse modo que prendem os cavalos.

Morando nas cidades, precisamos e queremos mais e mais.

Porém, lá percebi que não é preciso muitos bens materiais para se viver.




Comentários

Fala Mãe! disse…
Elisa querida! Faz tempo que não aparecia por aqui, e agradeço muito por ter me avisado pra ver esse post maravilhoso. Se não fosse vc talvez jamais conheceria a mongólia. Fiquei muito emocionada em ver essas crianças que com tão pouco parecem tão felizes, é uma lição pra gente aqui desse mundo tão ambicioso e competitivo. Tô vendo os post antigos que perdi, a comida, a paisagem, tô viajando com vc. Vou linkar esse post no twitter. beijo querida, bom falar contigo de novo.
NinaLu disse…
Konbanwa, Elisa!Muito calor por ai?
Nossa, esse ano ta demais nao?Affee...

Achei muito lindinhas as criancas da Mongolia, principalmente a que esta de rosinha!Muito kawaii!rsss....
Nossa, como eles foram atenciosos em fazer ate um banheiro pra voces ne?Que povo bondoso gente!
Achei muito interessante em saber que eles usam o coco de cabra como lenha!Isso e que e ECO!
Acho que temos muito que aprender com eles ne?
Fico feliz que seu filho tenha feito amizades por la e ate andado de cavalo!
Que legal isso!Acho muito bom pras criancas conhecerem outros povos de diferentes culturas, pois isso so tem a enriquecer o futuro delas!
Adorei esse post tambem!
Ii benkyou ni natta yo!Arigatou ne!

Ah, espero que consiga encontrar o ryoku tya de manga!
Fico feliz que tambem seja uma fa por chas!rs
Obrigada por ter comentado la no meu cantinho!
Linda noite!
Abracos!
Elisa no blog disse…
Cynthia,
Obrigada, eu que agradeço por linkar esse post. Realmente essas crianças não tem quase nada material, mas tem o chão, o céu, cavalos... Vc precisava ver a carinha deles, tão contentes com suas brincadeiras singelas. Mudou muito dos meus conceitos.
Elisa no blog disse…
NIna,
É como vc disse, aprendi muito com eles. Fiquei contente tb pelo meu filho que nasceu e cresceu em cidade grande e conseguiu se divertir tanto lá.
O povo de lá é realmente muito simpático, fazem tudo o que podem pelas visitas. Me senti como se fosse parente deles tamanha a recepção calorosa. É de emocionar qualquer um.
G-zuis Elisa.

Mas que aventura! Vc foi pra outro mundo, literalmente.
Incrível.

As crianças são uma graça, lindas.
Não sabia que não tomam banho. Além do tempo seco, estava então frio, pq a tenda precisava ser aquecida...

Cocô de cabra pra aquecer? Caramba...nunca imaginei algo assim.

Que bom que seu filho se divertiu, se deu bem com as crianças. O céu do local é lindo né?

Do mesmo jeito que a gente estranha a vida deles, eles estranham a nossa. Pra eles somos complicados, temos um monte de coisas e manias esquisitas. Vivemos de cara amarraa e não somos felizes...enquanto eles, mais simples, vivem bem.

é para se pensar, qual a verdadeira necessidade que temos?

bjs essa série está demais
Elisa no blog disse…
Ale,
EStava um pouco frio. Lá no acampamento era bem frio de madrugada, precisamos de aquecimento. Mas de dia estava 20, 22 graus. Foi ótimo para escapar do calor que está este ano nesse Japão. Esse calor está exagerado, não acha?
Necessidade de verdade, acho que temos poucas, mas vamos tentando facilitar nossas vidas e para isso precisamos de mais e mais coisas. É o que passei a ver com clareza depois que fui lá. Dá o que pensar...
Denise disse…
Oi Elisa!

A cada post vejo que a viagem valeu muito a pena! Reclamamos de barriga cheia, vivem com tão pouca coisa e são felizes!

Dá até gosto de ver as crianças brincando, a simplicidade e a consideração, até o céu de lá é lindo...

Bjinhos!
Meri Pellens disse…
Muito bonita essa sua experiência, sendo que é tão diferente o modo de viver deles. Para nós é estranho e até parece insustentável, mas para eles é normal. Lindo esse post!
Beijos na alma!
Andrea disse…
Elisa ,que bacana essa viagem que vc fez .Imagino como seu filho aprendeu com essas crianças e eles com ele .
beijão pra vc
Mônica disse…
Elisa
Sabe que você e sua familia deverão ser exemplos para os pais atuais.
Não simplesmente viajar, mas acima de tudo ensinar que a vida não é sá a pura riqueza que vemos hoje.
Este pais é um exercicio de sabedoria e simplicidade.
Papai quando viajava conosco nos ensinava sobre a ~geografia e historia daquele estado que estavamos pisando. Voces foram muito além ensinaram como se sobrevive.
Seu filho e nem eu, que estou distante esquecerei estas lições.
Com carinho MOnica
Fico muito feliz de voce também pedir que encontre o que está perdido pra vovó Candinha.
Tenho certeza que ela achará porque para mim ela sempre me mostra onde está.
Desabafando disse…
Quando vc começou a contar o post anterior já fiquei pensando: mas onde ela dormiu? onde era o banheiro? rsrsrs...pq logo imaginei que não havia banheiro! Achei muito legal seu relato, sobre o seu filho se entrosar com as crianças e essa liberdade que eles e esse estilo de vida mas é bem diferente né?
OLÁ nossa adorei seu cantinho e estou te seguindo...beijocas
Fernanda Reali disse…
Todos os comentaristas acharam tudo lindo e maravilhoso, e eu fiquei apavorada e com vontade de sair correndo!!!

Tomar chá com a água encardida, fazer xixi no buraco no chão, ficar sem banho e catar cocô de cabra é demais para minha alma insensível, hehe. Nem pra ver em um documentário do Discovery Channel, quanto mais para vivenciar!

beijos, Elisa corajosa!
mar e ilha disse…
Elisa, realmente nós aqui neste mundo tão diferente do povo que vc visitou precisamos de muitas coisas superfluas. Eles não precisam de muito para viver e nós precisamos de milhares de bobagens para "sobreviver". Acho que tem uma diferença ai.
Minha irmã Andréa dizia alguns anos passados, que tinha inveja daquelas pessoas que moravam nas casinhas de pau a pique que avistávamos nas estradas de Minas. E dizia que eles não precisavaam de muito:só de um alimento, de luz, de uma casa, da família. E nós: precisamos de carro, casa, telefone, televisão, roupas importadas, etc... Criamos tantas necessidades para sobreviver que não sabemos viver e ser felizes.
Fabiano Mayrink disse…
essas culturas inusitadas nos enssinam muito, mesmo nao tendo mordomias vivem bem, é assim que deveria ser mais nos contaminados rs nao conseguimos fazer isso,

cocô de cabra é dificil de apanhar em :) bem pequenino e redondo!! eu ja panhei cocô de vaca, tenho um saco aqui em casa rs! mais esse eu comprei!!!

nao tomar banho foi o mais gritante pra mim, eu me cosso todo sem banho, pode estar frio mais sempre tomo banho, tem dias que ta calor e fico em casa que tomo uns 4 ao dia ou mais pra refrescar, no frio costumo tomar 2
Bah disse…
Nossa, catar cocô de cabra pra fazer de lenha, essa é super novidade pra mim... me diz uma coisa, como vc fazia pra limpar o bumbum depois? rss

Kisu!

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Primeiro coloca-se a porta e estrutura da parede.
Em seguinda monta-se o pilar central dentro do ger. Colocam a base do teto. Olhem que gracinha esse menino no centro da foto.
Não sei se esse garotinho queria ajudar ou brincar, mas lá estava ele escalando a grade.
O esqueleto do ger é coberto com pano e cobertor de lã de camelo.
Cobrem o teto e paredes com tecidos grossos para proteger do frio. O menino ainda está lá.







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