Eu assino o Jornal Asahi aqui no Japão. (pronúncia mais ou menos assárri).
Na edição de hoje, saiu uma matéria sobre crianças brasileiras no Japão.
O título que me chamou atenção é: ダブルリミテッド 漂流 母語も日本語も身につかない子供たち
Duplamente limitados, à deriva. Crianças que não assimilaram nem sua língua materna nem o idioma japonês.
No Japão as famílias escolhem escola brasileira ou japonesa para os filhos estudarem.
Acima contam a história do menino Vitor (10 anos) que está na foto. Ele chegou ao Japão aos 3 anos de idade com a mãe dekassêgui. Eles retornarão ao Brasil mas estão preocupados porque Vitor não domina perfeitamente o português. O repórter conta que o japonês que Vitor fala também não era bom.
É um caso preocupante dos "double limiteds" que são cada vez mais numerosos em várias regiões do Japão.
O grande problema é que essas crianças não sabem se expressar plenamente em nenhuma língua. Como extensão disso correm o risco de não aprenderem a pensar.
A menina dessa foto acima mora em Shiga. A família está no Japão há 12 anos. A menina estudava em um colégio brasileiro. Como o pai perdeu o emprego, teve que tirar a menina do colégio. Como só estudou em colégio brasileiro, quase não sabe escrever japonês. Atualmente a menina está em casa sem estudar. Há centenas de crianças brasileiras atualmente no Japão nessa situação. Não frequentam escola brasileira nem japonesa.
(obs: hoje existem colégios que seguem o currículo escolar brasileiro no Japão, ou seja as aulas são dadas em português)
Relatam também o caso de uma menina sansei de 13 anos que entrou numa escola japonesa em Shiga. Ela conta que passava o dia todo sem que ninguém falasse com ela. Então ela ficava só olhando para fora da janela. -Acho que ninguém gostava de mim lá- diz ela. Não suportou e deixou a escola depois de 2 meses.
Um sociólogo japonês fala que os nikkeis têm cara de japonês mas não falam japonês e tem atitudes e gestos diferentes dos japoneses. Para essas pessoas a sociedade japonesa é muito fria, pouco receptiva, o que tolhe a vontade dos nikkeis aprenderem. Por outro lado, os nikkeis mestiços sofrem preconceito porque não têm cara de japonês.
Para não misturar as coisas, pretendo contar a minha experiência com meu filho no próximo post.