Obrigada pelas mensagens, telefonemas.
Quero informar que aqui estamos todos bem.
Embora a gente se acostume com terremotos que são frequentes no Japão, nunca tinha vivido um terremoto tão forte. Ontem pensei que talvez fosse morrer. O prédio da prefeitura onde eu estava parecia maria-mole, todo mole. As paredes pareciam moles. Pensei que terremoto tivesse um movimento mais quadrado e anguloso. E o tremor parecia não acabar nunca.
Os trens pararam, tive que andar de volta para casa. Nas ruas, centenas de pessoas também caminhando calmas e ordeiras. Enquanto andava pensei em muitas coisas. O quanto era óbvio o trem chegar na plataforma todos os dias, a cada 5 minutos sem falta. Fiquei pensando o que é realmente importante na vida. Geralmente nunca paramos para pensar na vida em si. Eu particularmente me perco nos detalhes e fico dando importância para picuinhas. Caminhei e pensei mas só até o corpo começar a ficar realmente cansado.
Depois de andar 2 horas encontrei um táxi.
Meu filho estava na escola quando aconteceu o terremoto. Todos os alunos foram reunidos no pátio e os professores os acompanharam para casa a pé. As crianças que crescem no Japão parecem achar que os terremotos são coisas normais, nem se assustam muito. Nunca entram em pânico. Pânico jamais, é o que ensinam nas escolas. É preciso ter calma nessas horas. Eu que cresci no Brasil é que fico desesperada. Eles têm preocupações mais práticas como comida e água.
O Marido trabalha em Tokyo, voltou de bicicleta. Levou mais de 3 horas para chegar em casa.
Os telefones não funcionavam. Estavam congestionados. Todos tentando ligar para todos. Quando a gente mais precisa os celulares pifam!
Foi a primeira vez que fiquei sem luz no Japão. Voltarei a ter o hábito de ter vela e fósforo ou isqueiro a mão como minha mãe faz em São Paulo.
Só para avisar que estamos todos bem.
beijos.